terça-feira, 14 de dezembro de 2010




                                           peacetc:

é :/

                                    
Você olha pra cima, pede a si mesmo que ela não caia. Seus olhos enchem. Ela cai.

dentro de uma menina ;D

a menina frágil, sonhadora e séria, que só quer fazer os outros riremDentro de uma menina engraçada, estúpida e besta, existe uma menina frágil, sonhadora e séria, que só quer fazer os rirem . <3outros rirem

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010









underthescars:

Ela: Você gosta de mim ou não&#160;?Ele: Não.Ela: Então porque você está comigo&#160;?Ele: Porque você nunca me perguntou se eu te amo.



Ela: Você gosta de mim ou não ?
Ele: Não.
Ela: Então porque você está comigo ?
Ele: Porque você nunca me perguntou se eu te amo.




clarice lispector

"Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre... 
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!...
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!... 
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão...
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para SEMPRE! 
Gosto dos venenos mais lentos, 
das bebidas mais amargas, 
das drogas mais poderosas, 
das idéias mais insanas, 
dos pensamentos mais complexos, 
dos sentimentos mais fortes
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. 
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? 

EU ADORO VOAR!"
(Clarice Lispector)

Ruas virtuais

Você já teve a sensação de que...cuspiu pra cima e que fatalmente vai cair na cara?

Pois é, eu nunca tive medo de 'cuspir pra cima', sempre fiz o que pensava que era certo naquela hora ou naquela fase da vida. Não tive e não tenho medo de arriscar, jogar, apostar, pagar pra ver. Gosto de desafios, gosto de vento, gosto da deliciosa sensação de caminhar sem saber se vou chegar.

É o prazer de conhecer, de se dar a conhecer. O encantamento de descobrir coisas, pessoas e sensações novas em lugares e tempos inesperados. A novidade, o por vir, o desconhecido, a vaga possibilidade de poder alçar vôo num de repente sabe-se lá o motivo, me fazem ser hoje melhor que ontem.

Eu nunca gostei de preconceito. Mas como todo ser humano tenho os meus. Qualquer um que disser que não tem nenhum tipo de preconceito, estará mentindo, sendo hipócrita. O preconceito é inerente ao ser humano. A gente tende a estranhar o que é novo, diferente, fora do padrão. Ou como disse Caetano: "é que Narciso acha feio o que não espelho".

E eu tinha um preconceitosinho com essa coisa de conhecer gente pela internet. Ah, tinha mesmo. Vai saber se do outro lado não tem um louco, um psicopata, um assassino, um mentiroso qualificado ou cara casado? Perceberam que não estou falando só de amigos, né?rs

Amigos virtuais eu tenho vários: a Gisele, que é uma querida com quem me divirto e aprendo pacas. A Malu, que quase nunca passa aqui mas que tá me ensinando a fazer a minha parte. O Pedro que já me é muito caro. O Bira, que me agrada, me mima e sempre briga comigo quando eu tô fazendo merda. O Hélio que me ensina que a força da vida não está no que a maioria das pessoas acredita. A May que é um porto alegre e um porto seguro. A Rosana que me dá uns empurrões vez ou outra. Enfim, tenho uma infinidade de amigos virtuais e prezo muuito por eles, todos eles. E tem também os amigos que moram longe e que não vejo com frequência (leia-se não vejo nunca), Jairo, Fer, Paulinho, Ethiene. Amigos que conheço, mas que é a internet que nos põe em contato constante.

Mas ainda sim, rolava um preconceito. Por exemplo, no meu profile do orkut a grande maioria dos meus contatos é de gente que realmente conheço. Já vi, já peguei já dei beijo na bochecha, tá tudo bem tem uns que foi na boca (rs). Tem alguns que não conheço, mas constantemente dou uma 'limpada' geral e a maior parte eu sei quem é, tenho o e-mail pessoal, o telefone ou sei como encontrar.

Mas outro dia me apareceu lá um cidadão me dando oi e desejando bom final de semana (se não me engano), em geral eu não respondo e apago o recado (apago todos os recados depois de lidos)mas dessa vez eu respondi. Cliquei ali embaixo do recado onde fica escrito 'Responder' e disse: Oi. Quem é vc? (grossa, né?) Ele respondeu logo em seguida, desocupado tava fazendo nada na internet, rsrs. E explicou que me encontrou em uma comunidade e me achou interessante. UAU, achou interessante. Gente meu perfil não tem absolutamente nada demais. Tem uma foto minha e 2 de São Paulo, e é tão raro um cara dizer que a gente é interessante. Bom, engrenamos um papinho ali, um ping pong de scrap's, rs. Ele logo me deu o msn dele, eu dei o meu (nuunca faço isso). Ele adicionou e começamos a conversa. Conversa ótima diga-se de passagem.

E assim vamos conversando...Na sexta feira nós ficamos 13 horas seguidas papeando no msn, com a mesma janelinha. Na hora de dormir, 3 da matina, a gente ficou com dó de fechá-la, tãããão cheinha de assunto, rs. Eu a salvei! Ele eu não sei, não perguntei. E fiquei pensando esse final de semana: na época dos meus bisavós as pesoas nem se conheciam, elas simplesmente casavam. Com os meus avós já rolou um namoro. Um flerte (adoro essa palavra), e olha pra ser sincera meus avós maternos foram beeem apressadinhos. Os meus pais, casados há 30 anos (eu acho), se conheceram porque minha mãe foi morar na casa de uma tia que era vizinha à casa da família do meu pai. Tinham idades próximas, minha mãe era linda (uau), namoraram e casaram (clássico).

E hoje? Quando a vida atropela a gente, o tempo anda veloz. As horas voam na velocidade dos nossos pensamentos. E a gente passa tanto tempo no computador, porque a gente não pode conhecer pessoas bacanas por ele? Que preconceito infame o meu. E sei que é o de um moonte de gente. Tá, eu não sei se acredito que é possível amar alguém só lendo o que ela escreve. Nem vendo fotos ou ligações telefônicas. Isso pra mim é mais atração, bem-querer, identificação com a pessoa do outro lado do que amor propriamente dito. Amor envolve pele, toque, olhar, respiração, sabor.

Então vai ver que o que as pessoas que se conhecem assim sentem, é algum tipo de sentimento sem nome. As pessoas não se conhecem mais só andando pela rua, ou na balada (sinceramente acho que 'amor de balada' é furada.rs), num barzinho ou no trabalho. Elas estão em ruas virtuais, em mundos cibernéticos, em comunidades de orkut. Também não boto muita fé nessa coisa de destino. Acredito que a vida vai levando a gente para aquilo que a gente quer viver. São os desejos que fazem o movimento da sua existência.

"E às vezes um oi pode parecer nada mas acaba sendo tudo", e isso não fui eu quem disse, foi ele. Já tive namorados que disse oi na rua e assim começou. Já tive namorado que passou por mim, fiz uma brincadeira (pra não dizer:passei uma cantada) e depois de um papo muito bom, os beijos foram durando alguns meses. É isso, acho que é preciso dar chance para as coisas acontecerem, para as pessoas chegarem na vida da gente. É preciso ceder. Conhecer. Se deixar encantar. Poque se depois nada de mais acontecer, o caminho todo, que é onde está a verdadeira festa, valeu a pena. E amigo nunca é demais.

Boa semana pra todo mundo!

Compulsiva....

Eu li que blog é como se fosse um diário, só que ao invés da gente guardar escondido mostra pra todo mundo (inversão de valores será?). Um amigo me disse que era legal eu falar um pouco sobre mim, assim as pessoas vão lendo e me conhecendo nas palavras. Tudo bem, desde que fique claro que sou muito mais que minhas palavras.



Sou a filha mais velha  inconseqüente de uma família gaúcha. Talvez isso explique meus momentos longos de ausência do mundo, os olhares perdidos e os suspiros (eu tava só, sozinho, mais solitário de um gaúcho...).
Os olhos de um castanho confuso, traiçoeiro. Alta? Baixa? Mediana, vai... Alta é minha dignidade, Baixa a minha paciência.
Cabelos também de um castanho confuso, às vezes sou loira. Uma loira nefasta e sem limites. Outras sou morena de uma placidez tamanha que inebria o espelho. Na verdade o cabelo é castanho, cor de castanha, castanha que se morde, come, degusta, devora, aprecia...é castanha, castanho...
Tenho valores estranhos, não defendo quem não gosto, tenho sonhos absurdos, viajo nos meus delírios de madrugada. Imagino cenas e ativo produções, só não lanço o filme por falta de grana. É sou uma duranga, papai não é rico e mamãe não passa as tardes no cabeleireiro, ainda bem.
Não entendo muito de amor. Amei homens que tocaram o meu corpo, mas não despertaram meus instintos. Fui amada por outros que poderiam ter tudo de mim, e passaram como poeira de estrada, que depois que a gente toma banho desce pelo ralo e não se vê mais. Ficam as belas paisagens do caminho, talvez uma ou outra foto, mas o pó esse sempre vai e não volta.
Sou mutante. Mutação que se revela nos olhos, nas mãos que falam junto com as palavras nos desejos.
Creio nas minhas próprias convicções, na minha vontade de ser jornalista. Na certeza inconstante de que ele é tão indissociável de mim quanto a vodcka do limão.


É meu caro, sou uma inveterada bebedora de destilados. Herança familiar, quem sabe?!Beber pelo prazer das companhias, do que vem depois, do que está antes, do que está implícitoe lógico, porque só os bêbados tem certeza absoluta de que a Terra está mesmo girando.

Profissão!



Eu devia ter vergonha do abandono que deixei isso aqui! 
É e eu tenho... 

Mas eu estava muito atrapalhada com os trabalhos e os prazos da faculdade, pois é eu não sou uma acadêmica exemplar! 
Eu mato aula, eu faço social fora da sala, eu entrego trabalhos atrasados e pior esqueço as datas das provas.=/ Mas, as férias estão aí, tenho uma PS (prova substitutiva) para segunda feira e depois...pernas para o ar (da facul pelo menos)! 

Uma porção de gente me pediu para que quando eu voltasse eu contasse o que me afastou do blog e o que eu estava fazendo esse tempo. Bom, é muita coisa, mas o principal era o jornal laboratório da facul, uma matéria danada que me deu um trabalho arretado! Mas que fiz com um prazer inenarrável! O jornal é uma edição especial, monotemático, sobre:SEXO! ahahaha e deu o maior prazer fazê-lo...rs 
Falo mais dele durante a semana, posto aqui para vocês o editorial que fiz e a minha matéria! 

Mas hoje quero mesmo é falar de profissão. Da minha, ou melhor a que eu escolhi, Jornalismo!Eu acho que jornalismo é a única faculdade que a gente já entra sendo profissional. Você pode achar uma loucura isso, mas é verdade. Ninguém lá na universidade vai te ensinar a ser jornalista. Isso vem de você (ou de mim, para quem não é da área). 

É uma inquietação, uma angústia, que faz morada na gente. E tem o tesão por palavras ditas ou escritas, a vontade de falar com pessoas, de estar com pessoas, de ouvir delas suas histórias. O desejo incontrolável de ler o tempo inteiro, ler tudo, às vezes até bula de remédio (malditas letrinhas minúsculas, rs). 

E isso causa problemas, uma confusão, nos outros e na gente. Nos outros, porque vira e mexe tem que fazer alguma matéria para a faculdade, ou para o jornal laboratório, que já citei ali em cima, ou para trabalhos mesmo. E as pessoas tem a maior desconfiança de dar entrevista para estudante, o que é super compreensível. E na gente porque às vezes a gente quer ter mais direitos de errar, e na faculdade de jornalismo, nosso direito de errar é bem cerceado. 

Como somos tratados como profissionais pela maioria dos professores, eles fazem questão de que a gente se posicione como profissional diante de inúmeras situações. E a gente se esforça, muito. Mas eu, confesso, às vezes mandou tudo à merda, dou umas erradas gigantescas. Mas também faço umas consultas com uns seres humanos sumpimpas e jornalistas fodásticos que conheço. Eles me explicam de um jeito mais fácil, menos didático e mais real. 

Mas eu confesso, às vezes dá vontade de ser só mais um estudante no meio daquela confusão barulhenta que é a universidade. Mas indo agora para o 6° semestre, metade do 3° ano, eu tô muuito feliz, feliz pacas! Já tenho até um possível tema para um TCC! 

É isso, aí, acho que às vezes pensar a profissão é importante, mas não colocar barreiras, defeitos, problemas. Pensar, pelo delicioso ato de viajar nos sonhos de antes, de agora e os de depois. 
Pense a sua profissão aí, delicie-se com tudo o que ela tem de bom e de ruim. Se já é um um profissional de "catiguria", relembre, viaje nos idos tempos de universidade, aposto que vai ser uma diversão!

Todos os sentidos

Quando o despertador toca sabe que é mais um dia azul de sol escaldante de cerrado. Dia sem chuva e 40° a sombra.

O frio na barriga, a sensação de bala de hortelã no céu da boca, a mão que transpira sem motivos, os olhos que ardem.

A água que acaricia o corpo, faz a mente transcender
 essa coisa idiota de tempo e espaço. Perto e longe. Em pé e sentado. Essa besteira de estados brasileiros. Esse país com dimensões continentais que te faz longe em qualquer lugar que esteja. Lá frio aqui um calor.

E tem os nós de homens do mar. Nó na garganta, nó na boca do estômago, nó no cérebro. A cabeça que pensa, imagina, inventa, coloca e tira. A imaginação que abre as asas e vai por paragens estranhas e não desejada
s, mas que quando toma forma percorre o corpo todo até voltar para o lugar de onde saiu.

E tem o corpo que arrepia e responde aos pensamentos. Um mar de sensações marítimas. O toque de areia que acaricia e machuca. É quente sem queimar, mas no lugar certo pode gelar, arrepiar, enlouquecer. E tem o ir e vir, aesp
uma, o movimento constante.

Tem a angústia, o desconsolo, o desalento, o desespero. Os pés no chão de quem quer ir tendo que ficar. O aperto no peito, o soco no estômago, os passos sem
 rumo, o caminhar vacilante, a corrida descompassada rumo a nenhum lugar.

Tem o cheiro das cores e o sabor dos sons. Um silêncio branco se tingindo da timidez azul, o cheiro enjoado de amarelo, um som laranja de fundo magenta. Qualquer coisa de vermelho no ar.

Uma inconstante constância de querer e poder sem poder. É só
 poder querer, sem ter, sem ver. É só desejo de desejar o que ainda um dia vai ser. Inteiro, imperfeito. A sensação de completar o que é tão incompleto, a sensação de fazer caber o mundo em qualquer lugar, mesmo que esse lugar seja aqui, aqui dentro, bem guardado.

E não cabem os rabiscos que se fazem, não valem os artigos escritos, nem d
iplomas. É como transar sob as estrelas, não precisa de definição, não há porque ter nome, ter motivo, ter caminho, é sódescaminho caminhando sob um céu de estrelas. Basta isso.


Tem gente que chama de amor...

Será que foi tudo um sonho?!



Saí mais cedo do escritório, havia uma semana que programava isso. Da última vez resolvicompartilhar o momento e acabou dando merda. Dessa vez queria ir sozinha. Ia ser bom, ficar um tempo comigo mesma e reavaliar algumas situações. Pensar na vida enquanto olhava um trecho de água tóxica e familiar com um pôr do sol que durante o dia chegou aos 42°, mazelas de se morar no cerrado. 

Parei no ponto de ônibus, ninguém para puxar conversa, menos mal. Ônibus lotado como é de praxe às 5 da tarde, desci na faculdade, atravessei o primeiro bloco, ninguém conhecido. Passei pela rua, entrei pelo enorme corredor, passei por um bloco em construção, pelos bancos, pelo quiosque que nunca tem nenhum refrigerante gelado, virei à direita. Passei pelo mural, virei à esquerda, passei pela antiga biblioteca. Virei de novo à direita e segui pelo corredor escuro da antiga reitoria, o piso nesse pedaço é mais liso, já que ali sempre havia limpeza, ao contrário do resto do campus. No final do corredor a luz do fim do dia e uma escada.

Desci e continei indo reto, até então ninguém sabia que eu estava ali. Fui pelo caminho de pedras que dava para as piscinas, cruzei com algumas capivaras e já podia ver ao fundo o Lago do Amor, lembra, já falei dele. Na piscina, crianças que aprendiam natação e vovós fazendo hidroginástica. A professora, acadêmica de educação física, me reconheceu. Levantou a mão e mandou um oi, retribuí sem me lembrar o nome dela, normal. 

Subi as escadarias da arquibancada, não sem tropeçar e ter a sensação de que certamente ia despencar lá de cima, mas cheguei ao topo. De lá podia ter uma visão de todo o campus a minha frente e, virando de costas, podia ver o lago e ao fundo o pô do sol, que era o que eu havia ido fazer. O sol ainda estava alto, como se se negasse a ir dormir e parar de fritar as pessoas aqui embaixo. Diante da visão, o sorriso foi inevitável. Sentei, e fiquei olhando as risadas das crianças na água, que me trazia, inevitavelmente o som de uma voz familiar apaixonada por piscina, e comecei a soltar as amarras do balão dos pensamentos.

Fui repassando os acontecimentos dos últimos tempos. Amigos que nem eram amigos, amigos de amigos que vivem atrás de máscaras, amigas que começam a se descobrir em novos tempos, e amigos que continuam no mesmo lugar, graças a Deus. 

Aos poucos a aula ia acabando, e as risadas diminuíam, mas aos meus ouvidos só havia o ruído do vento nas folhas, levantei. Em pé, apoiada na mureta lá de cima daarquibancada podia ver o sol, agora sim se despedindo. Apesar de tudo, eu permanecia nos trilhos, estou trabalhando, e sei que mesmo nessa turbulência tenho com quem contar. Quando abri os olhos, o sol já tingia todo o céu de vermelho e cor-de-rosa, magias da natureza que só quem já viu o pôr do sol no pantanal, pode entender. Mas havia alguém do meu lado, fiquei meio sem graça antes de me virar pro lado, já que eu tinha os olhos marejados. Até que ele falou comigo.

-E aí, como andam as coisas?

Sem saber porque, eu sentia uma tremenda confiança naquele cidadão. E respondi.

-Não vão da melhor forma, mas estão caminhando. Mais cedo ou mais tarde tudo se resolve.

-E o coração, ainda descompassado?

Me assutei com o comentário, isso era algo muito meu, sorri e respondi sem me dar conta do que falava.

- Ah, não é para ser agora. Quem sabe daqui uns anos estaremos prontos um para o outro, né?

Ele chegou mais perto, segurou minha mão e eu olhei para ele, não pude ver seu rosto que ficou contra a luz, mas a voz era imensamente familiar.

-Que bom que conseguiu chegar a isso sozinha e evitar maiores dores. São os dois de um mesmo caminho, e deverão caminhar juntos, mas não ainda. Ele não saberia o que fazer com seu desvelo e, você, não conseguiria optar por ele diante de tantos caminhos que ainda vão abrir-se diante dos teus olhos.

Me senti a vontade para, olhando adiante, deixar as lágrimas rolarem enquanto ele continuava.

-Experimente um novo corte de cabelo. Varie alguns horários. Faça por você algo que vem adiando faz tempo. Mude, saia do lugar. Quebre as amarras. Ele não sairá deste caminho, ele está na tua passagem. Aquiete o coração e os pensamento, dê tempo ao tempo. Deixe o Pai agir, e segue fazendo a tua parte.

Ele me dizia isso, sem citar nomes, mas na minha cabeça e no meu coração eu sabia do que ele falava, sabia de quem falava. Já havíamos tido aquela conversa, não assim, a luz do dia. Mas já havíamos nos falado. Eu agora lembrava o nome daquele homem que segurava a minha mão e sorria enquanto minhas lágrimas lavavam o sol. Eu estava mais leve quando só restavam os riscos laranja no céu já sem a bola de fogo aquecendo tudo. Levantei o corpo, sorri para ele. Fechei os olhos, agradeci por ter assistido o espetáculo tão bem acompanhada, quando abri os olhos estava novamente sozinha.

Procurei em volta, nada. Desci correndo a arquibancada, dei uma volta em torno das piscinas, fui até a beira do lago, nada. Da maneira como havia chegado, partiu. Mas agora, eu já sabia o que fazer. Estava então, fazendo a coisa certa. Pela primeira vez tenho essa certeza. Ainda que ela não vá durar muito, como todas as minhas certezas capricornianas, que esperam resultados.

Fiz o caminho de volta, pela antiga reitoria, o corredor, os bancos, o 1° bloco, atravessei a avenida, subi no ônibus e fui para casa pensando no que fazer com os cabelos.Ninguém me viu ali, naquele fim de tarde, é como se por 2 horas eu houvesse desaparecido do planeta. Como se eu sequer houvesse estado ali.

Em casa, tomei banho, deitei e dormi.Sonhei com um rosto conhecido que sorria para mim e em poucas palavras me avisava que estaríamos bem, apesar dos quilômetros incontáveis e do tempo que, apesar de querermos, ainda não era o nosso!

Um conto sem fadas.



O sol batia na janela quando os olhos começaram a abrir. O rosto enfiado no travesseiro ainda tinha restos de maquiagem da noite anterior, quem sabe depois dos 30 começaria a retirar a maquiagem antes de dormir, mas aos 26 ainda não. Virou de lado e pode ver a bagunça espalhada pelo chão, sapatos, roupas e alguns presentes, ao ver a mala sobre a cadeira, o sorriso foi imediato, era hoje! 

Sabia que dali para frente as coisas mudariam todas, nada mais seria igual, quiçá parecido, mas seria bom. Adorava mudanças e essa, apesar de finamente planejada, estava acima de qualquer expectativa. Levantou com a mesma pressa de uma tartaruga, se arrastou até o chuveiro quente e ainda no banho pensou em tudo o que teria para fazer antes que o dia terminasse.
 

Banco, compras, contas, despedidas e um ou outro presente. Saiu de casa com uma banana e uma xícara de café no estômago, não precisa mais que isso. Desceu do ônibus na Rui Barbosa com a Barão, na frente do Correio de onde enviara o primeiro presente, o primeiro de uma lista vasta, de uma lista gostosa, recheada de chocolates e travessuras. Pela Barão seguiu até a 13 de Maio, entrou na loja de produtos de beleza e comprou o que faltava na mala. Enquanto andava tranquila conferindo os produtos dentro da sacola, pensava em cabelos enrolados, um par de olhos curiosos por trás dos óculos. Pensava em quantas tramas do destino tivera que vencer para esperar o dia de hoje.


Chegou à rua 14 de Julho, virou a esquerda (a da mão que não escreve) e desceu até a Praça Ary Coelho, monumento histórico que hoje pode ser resumida a vendedores ambulantes, pombos, ciganas e idosos que passam as horas em animadas partidas de cartas e damas. Atravessou a 15 de Novembro e entrou na livraria. Adorava ir ao sebo, porque os livros usados contam historias além daquelas que estão nas letras, teem a historia escondida dos antigos donos. Sabia o título que procurava, foi direto a prateleira. Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez e quantos não foram os anos de solidão até que esse dia chegasse, pensou enquanto sorria e pedia para que embrulhasse para presente.
Queria chegar como quem chega de uma longa viagem de alguns meses ou anos, carregada de presentes, daqueles que devem ser abertos pessoalmente e o obrigado deve ser dado preso nos laços que os abraços são capazes de formar. Já era quase hora do almoço, pela 14 desceu até a 7 de Setembro, comeu esfihas na Confeitaria Árabe e aproveitou para comprar alguns temperos, pão árabe e doces. Aquela formiga em tamanho gigante vai gostar de uma boa dose de açúcar. Dessa vez, açúcar e afeto.
Andava por aquelas calçadas como se fosse a última vez, não tinha saudades antecipadas daquele lugar e nem planos para voltar antes de dezembro. Na praça pegou o 085 e foi para casa. Depois do banho terminou de arrumar as malas, sabia que alguns amigos iriam aparecer, mesmo ela tendo pedido para que não viessem. Dito e feito, garrafas de cerveja, chocolates, leite condensado e vinho, estava feita a despedida, o bota fora. Conversas, alguém senta na mala para poder fechá-la? 

Foram todos juntos para o aeroporto, de repente o riso tornou-se pranto. É assim mesmo a vida, abrir mão de coisas caras ao coração para ganhar outras coisas, outras pessoas, outros sonhos. Beijos e abraços apertados, os olhos vermelhos das amigas a maldizerem a partida e a torcendo para que desse tudo certo. Sabia que elas iriam disputar para ver quem receberia a primeira ligação dizendo como tinha sido o encontro, o abraço, o beijo, a noite, a vida. E sabia para quem ligaria primeiro, caso desse tudo certo ou desse tudo errado.
Um voo com conexão em São Paulo, intervalo de quase 2 horas entre um voo e outro. Parecia até um teste. Alguns passageiros reclamavam da espera, da demora, do atraso. Queriam curtir logo a praia, amanhecer na princesinha do mar. Essa espera já não fazia diferença, esperou a vida toda. Chegaria ao destino à 1 da manhã, não era uma hora muito confortável pra se chegar ao Rio de Janeiro, mas a madrugada era a hora do amor, não podia haver horário melhor. Segunda decolagem, agora 50 minutos a separavam do destino e foi pensando em quantas coisas haviam se alterado para que pudesse estar ali.

Pensou no amor que é como espuma de mar, precisa estar livre e ser solto para existir. Quando você olha o mar, vê a espuma que se forma nas ondas, mas se você quiser levar essa sensação para casa, não vai conseguir. Coloque um pouco da onda com a espuma em um pote, ela não estará mais lá. Assim é com o amor, ele existe e cresce em liberdade, jamais aprisionado. Quanto mais se solta mais cresce.
 

Chovia quando os pneus tocaram o chão da pista, crianças desacompanhadas e idosos desembarcam primeiro, por favor. Mais 10 minutos de espera e a comissária diz:
-A senhorita pode desembarcar agora.
-Posso?
-Sim, pode.
-Não sei se eu consigo, moça!
-Como senhora?
-Nada, deixa, tô descendo. Tchau.
-Obrigada por voar conosco.


Malas na esteira, portão de desembarque, abraços que ser perdem no ar, sorrisos, risadas, beijos que se encontram. Pais, crianças, mães, políticos, adoro aeroportos. Com os olhos, parada em meio a multidão procuro um par de olhos, olhos que procurem alguém conhecidamente desconhecida são os que devo achar. Falei que viria de branco, mas vim de azul.

E, de repente, sentado, suado, com as mãos entrelaçadas a brigar uma com a outra, aguardando no portão de desembarque errado, está lá. O par de olhos que eu buscava.
 Olhei, parei e sorri. Quando se virou para mim, sabia que seria ele. Não consegui me conter, lancei-me nos laços do seu abraço, apertei contra o peito o presente que a vida me mandou, ele me apertava e eu sentia o cheiro de cada poro do seu corpo, dos olhos lágrimas, da boca um oi tímido. E quando os olhos, finalmente se encontraram tão perto, não havia mais o que falar.
O tempo parou 
e a vida, então, era só respirar!

Talvez.




Talvez seja por qualquer coisa de saudade
Talvez seja por alguma coisa como ausência de um corpo amado
Talvez seja só por falta de dinheiro 

Talvez seja pela ausência de algo útil e relevante pra fazer

Talvez seja pelas 4 xícaras de café e as 3 de chá 

Talvez seja pela expectativa do dia 2 próximo

Talvez seja porque essa é a última semana do primeiro mês do ano
Talvez seja por não conseguir mudar o layout desse blog
Talvez seja por não encontrar um bom nome para o Projeto Experimental
Talvez seja por saber que salário só em abril
Talvez seja pelas perdas
Talvez e só talvez seja por tudo isso junto 

Mas eu prefiro acreditar que é por excesso de amor
 

Pela ânsia do por vir
 

E pela febre do sabor
 

Tudo junto, uma noite de insônia!
 


Um conto sob a lua.



No meio de uma noite enluarada, levantou da cama, levantou e vagou pela casa vazia. Escura e sileciosa lembrava sua alma nos dias mais frios de sua existência. Em certos momentos, quando o sono não vem, o melhor é levantar e va,gar, ou ler, talvez acompanhar alguma bobagem na tv. Mas naquele momento a única coisa que ocupava sua mente era a frieza das escadas sob seus pés a lhe dizer o quanto ela se tornou ausente das sensações de seu próprio corpo.

Pensou nos dias de ausência da vida, nos dias em que não viveu as horas, apenas esperou que elas passassem. Lembrou das refeições em que apenas deglutiu alimentos. Pensou nas conversas de palavras soltas e vagas, onde os sentimentos não vieram a tona e nem foram de todo sinceros. Pensou na falta que fez o ar, nos dias de sol que não lhe ardeu na pele.

No final da escada, abriu a porta e sentou-se na soleira, olhando as estrelas pensou nas noites em que, envolta nos braços de alguém, apenas sentiu alívio quando ele vestiu-se e partiu ou quando ela tomou um táxi para casa. Com os olhos na lua que boiava no espaço, pensou nas noites em que dançou uma música que podia ouvir, mas que não permitia que entrasse no seu corpo.

Olhando seus pés sobre a grama pensou nas tardes em que não se permitiu agradecer a Deus o milagre de existir. Lembrou de todos os telefonemas que prometou fazer e não fez. Nas vezes em que, insistente, o telefone tocou e ela não atendeu. Nos programas que desmarcou com qualquer desculpa sem sentido, nas mentiras que teceu para não sentir a vida na pela em uma tarde de sol no parque entre risadas. Pensou nos copos onde bebeu, sem saber porque bebia. Pensou nas cervejas que sempre lhe pareceram quentes, na vodka que sempre esteve sem limão, no vinho que perdia o aroma antes de chegar aos lábios.

Abraçada aos joelhos, na soleira da porta, com os pés na grama em uma noite de lua cheia no céu pensou em como pode ser vazia a vida sem amor. Em como as pessoas podem ter medo de saltar quando a queda apenas vai fazer que se cresça mais. E pensou em como se sentia completa por ter o coração repleto e a mente quieta.
___________

Falta de Sorte


Não faz muito tempo que descobriram que Plutão não é um planeta. Pobrezinho foi reduzido de cargo e provavelmente deve estar ganhando menos, (sorte dele que tem salário, eu nem isso tenho). Não sei muito bem como ficou a vida dele em relação a astrologia, já que Plutão é o inferno astral. Enfim, ele deve ter deixado de circular pelos outros mapas astrais e se aconchegado confortavelmente sobre a minha cabeça.Bem que as pessoas dizem que desgraça nunca vem sozinha. Quando uma coisa ruim começa a acontecer, desencadeia dezenas de outras piores. É como se não satisfeito em te derrubarem em um poço de merda, te jogam um travesseiro de penas descosturado na cabeça. Aí vc fica aquela lindeza: cheio de merda, com umas plumas brancas coladas, aquilo não sai nem com encruzilhada, que dirá com banho.

Na última sexta-feira, que aos desavisados foi 13, eu quebrei um espelho. Um espelho pequeno tá certo, daqueles de bolsa de mulher, sabe? Pois é, caiu no chão e se partiu e pedacinhos, na hora o pensamento que me veio: FODEU! Não que eu seja supersticiosa, imagina. Mas vamos aos fatos.
Horas após a quebra do fatídico espelhinho meu avô faleceu, não que a culpa seja do espelho, mas a morte de uma pessoa desencadeia coisas que eu não sabia, ou sabia e só não me lembrava. As pessoas brigam até por agulhas, já que meu avô era um homem sem posses. A família(que não é pequena) nos bombardeou com emails, ligações e convocações para partilhas.

Dois pratos e dois copos quebrados depois, eu fui ligar o computador e??? Ele não liga!!!!!

Sabe lá o motivo daquela carroça não dar o ar da graça. Não sou expert em tecnologia e menos ainda técnica em informática. Sei que o desgramado liga mas não inicia. Pode ser uma porção de coisas que só mesmo um técnico vai poder saber. Seria simples não fosse o fato da Fernanda ser uma acadêmica lisa, lesa e louca. Não tenho grana. Aos que não sabem sou voluntária (que nem Papai Noel que não tem salário) em uma ONG. Salário só no outro mês, que ainda custa a chegar e, ainda assim, o money é parco(têm noção do quanto ganha um escraviário?). Fernanda também está no último ano de faculdade, ou seja, ano de Trabalho de Conclusão de Curso, Projeto Experimental chamem como quiser, o fato é que estou fazendo um site (eu estudo jornalismo, lembra?) em formato de blog (conto mais sobre ele quando a maré melhorar).
Não bastasse essa coleção de acontecimentos ainda tem um professor na faculdade que acha que vai reinventar o jornalismo, eu acho que ele vai muito bem do jeito que está. Mas o dito cujo, além de ser o rascunho do mapa do inferno, é implicante e quer dedicação exclusiva à matéria dele, que nem dele é, já que ele não é o titular da disciplina. Levando em consideração que há mais outras 4 matérias nesse semestre, está bem difícil concordar com os desvarios incompreensíveis de um professor que pensa que a imprensa atual é uma bosta (detesto quem só inventa defeitos). Não acho que seja perfeita, mas pintar o diabo mais feio do que realmente é, chega a ser pecado. Ele que devia ser excomungado...

Ou seja, benvinda ao inferno astral, Fernanda. Mas passa, eu sei que passa. Enquanto não passa, me desculpe, mas vou arrastar minhas correntes, chorar pra ver se alivia e achar que o mundo agora está contra mim...

Sol da Meia-Noiite


Como eu vou explicar os dias de caos? 

Os meses de caos e o ano, que ainda não está na metade, mas que será todo ele feito de caos?
 

Feito de desordem, feito de coisas que saem do lugar.

Coisas que depois de mexidas e remexidas, jamais voltarão a ocupar o lugar que dantes habitavam?


São dias de furacão, de erupção. Dias que no correr das horas se esvaem pelos dedos e mostram, com ar de desdém e desamor, que o tempo não para e que se eu não correr a frente do relógio, os ponteiros vão, certamente, me atropelar. 

É esse um tempo de atropelo, de fazer sem perguntar o por quê.

De agir sem deixar para depois. De planejar sem cuidados.

De se soltar no ar dos sonhos a se realizar. E mesmo que todos eles dêem errado, os planos foram feitos, seguidos e batalhados, e isso importa muito mais do que conseguir. 


O caos é o desconsolo que toma conta logo após a queda, seja do cavalo seja da vida. O caos é o apimentado do prato de todo dia.

O caos é a tempestade logo após o amanhecer.
O caos é o retumbar do meu coração. O caos é o que antecede a paz. 

Tão parecido com amor. 
Tao caótico o amor. Tão amoroso esse caos. 

É nos dias de caos que só o que importa é: "eu estou segurando a sua mão".


E se você segurar na minha mão vai poder sentir todos os anseios do meu corpo, da minha alma e do meu amor.

Vai voar comigo por cima das montanhas, vai mergulhar, vai não saber nadar também. Vai conseguir ouvir o som da minha risada, vai assistir desenhos.

Vai aprender sem entender. 
Vai sentir o arrepio da minha espinha quando parecendo cair a gente começar a voar. 

Nesses dias de caos, é só me dar a mão para sentir a calmaria e o sabor de chocolate com cerejas.


Nesses meses de caos eu sou o ego. Sou tua alma.

Sou o céu, o inferno.

Te dou a calma, sou o teu inferno a tua calma. 


Nesse ano todinho feito para o caos eu sou teu tudo, sou teu nada. Sou teu poder, sou tua vida. Sou a sombra, o guia. 


Sou luar em plena luz do dia.
 

O caos me faz saudade reprimida. O amor me faz ânsia da chegada.

O começo do Fiim


Maldizemos de tal maneira as encruzilhadas do caminho que, depois do fim, não nos lembramos de que foram elas as responsáveis pelas decisões, guinadas e vôos mais altivos da trajetória.

Em quatro anos de faculdade incontáveis foram as vezes que me deparei com caminhos bifurcados.

Este ou aquele, direita ou esquerda, aqui ou lá?

Indecisa por natureza sempre tive muitas dúvidas, mas nunca me arrependi de nenhuma direção escolhida, apenas fui em frente. Algumas escolhas foram tremendamente acertadas, outras representaram as maiores cagadas (com o perdão do termo) da minha vida, acadêmica, profissional ou pessoal.

E agora no último ano, nos últimos meses, dedicados (ou pelo menos deveriam) à preparação do Projeto Experimental, faço um balanço das minhas encruzilhadas. Algumas que me trouxeram infindáveis sorrisos. Outras me trouxeram dissabores que ainda amargam, ardem, talvez até machuquem.

Quando prestei (e passei) vestibular, tinha acabado de trocar de emprego. Ganhava muitíssimo bem para uma pirralha de 20 e poucos anos, viajava, bebia e comia do bom e do melhor. Mas precisava fazer faculdade. Consegui do Lula, o presidente aquele, uma bolsa integral em uma universidade particular, da qual eu não tinha o menor orgulho. Passei de 2° chamada na Federal e me vi diante da primeira das dezenas de encruzilhadas que viriam.

Ir para a federal ou ficar na particular?

Na federal faltariam materiais, professores, salas, cadeiras. Sobraria descaso, dor de cabeça e atrasos. Minha bolsa na particular estava garantida pelos próximos 4 anos. Na federal rolariam papos que, quiçá, um dia salvem o mundo, desafios e vida universitária de verdade. Na particular tinham as patricinhas e suas roupas de grife, as bolsas Channel e o intervalo parecia recreio do Ensino Médio.

Uma ligação: “Oi, sou o Rafael da UFMS, vc foi aprovada de segunda chamada, Jornalismo. Vai ficar com a vaga? Tem até amanhã para vir fazer matrícula”.

Peguei a bolsa e disse ao chefe: -Preciso voltar meu horário para matutino, desconta meu dia de hoje que tô de saída.

Fiz a matrícula. Só voltei à particular para devolver a bolsa, assim outro aluno poderia ocupar o meu lugar.

Sabia que era a decisão mais certa e a mais idiota. Meu diploma tem peso, queiram ou não. Foda-se (com perdão da palavra de novo) ministros e ucdbistas em geral.

Nasci jornalista, não foi a faculdade que me tornou uma. Está no sangue, no pensamento, na forma de agir, questionar, investigar querer saber. Tenho sede de gente, de suas histórias de seus casos. De justiça, de igualdade e de luta. Idealista sim, assim como “Anarquista, graças a Deus”.

E aí vieram a tormenta, o caos, a falta de identificação com os colegas de faculdade. Eles com 17 eu com 23. Já tinha tido 3 empregos, já tinha ganhado bem e trabalho muito. Ganhava meu dinheiro, pagava minhas contas, respondia pelos meus atos.

Pode parecer pouco, mas havia (e muitas vezes ainda há) um abismo entre nós. Eles ganhavam carros por passar no Vestibular e eu acordava às 4 da manhã para pegar o primeiro ônibus e ir trabalhar. As vezes assistia aula em período integral e ia dormir depois da meia noite, quando chegava da aula.

Escolhi os amigos errados que acabaram por me mostrar o quanto outros caminhos seriam muito mais legais. Mudei de amigos, mudei de caminho, tomei decisões. Os amigos novos mudaram, abandonaram decisões seguiram. Mudei de novo, traída por quem eu menos esperava e mais amava, mudei de novo. Escolhi caminhos que me aproximaram de uma vida acadêmica intensa, atuante e enriquecedora. As noitadas, bebedeiras e carnavais eu já havia dito aos 18.

Meu espírito é velho, eu sou velha.

Quatro anos de curso, três namorados, duas DP’s, um monte de exames. Tardes na faculdade, noites insone, risadas e lágrimas. Alguns eventos, nenhuma viagem (eu trabalho demais e ganho de menos), uma porção de broncas. Aulas, elogios e putiadas (desculpa outra vez) do jornalista que eu quero parecer quando crescer.

Levo dos quatro anos um amigo que escolhi como irmão, que tenho perto mesmo que nossos almoços estejam rareando, as conversas sempre intensas. Uma amiga que escolhi como irmã, sempre longe, mas nunca do lado de fora de mim. Professores cúmplices do meu crescimento profissional. A alma em paz, cúmplice do meu crescimento pessoal.

Eu sou um ser humano melhor, certamente.

O amor da minha vida, complemento de todo o resto.

Ainda falta o Projeto Experimental, essa é só uma parte da despedida do que começou a acabar. Talvez não seja a parte mais difícil, mas é certamente a mais complexa.

Agradeço aos professores que tornaram as pedras do caminho menos pontiagudas. Agradeço aos traidores que fizeram com quem eu me lembre que eu posso ser sempre melhor, apesar do fel. Agradeço ao amigo, que ensina todo dia que amor é respeito.

Foram os quatro anos mais enriquecedores, quatro anos de despertar, de enxergar o mundo com olhos jornalisticamente apaixonados e isso não depende de diploma, de aprovação e nem de fotos no orkut de sites de baladas. Só dependeu de mim, o tempo todo dependia de mim!

As minhas encruzilhadas, às vezes, só me parecem encruzilhadas depois que chego no final do caminho que escolhi. Como capricorniana tomo decisões sensatas, acertadas, pensadas e repensadas. Piso no seguro e levo comigo só quem vale a pena. Como escorpiana, exercito meu espírito transgressor, alucinado e inconsequente.

Talvez dê certo exatamente pelo inesperado da mistura de tantas misturas.